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Periodização tática

Periodização tática

A Periodização Tática parte da equipe e vai manipulando os diferentes níveis de complexidade, desde o coletivo até ao individual, passando pelo intersetorial, setorial, e grupal. Isto é, a Periodização Tática pretende criar, com a articulação dos seus níveis de complexidade e através dos seus princípios metodológicos, um gênero de padronização neural, ou seja, uma padronização de conexões deliberadas, ao longo da semana e das diferentes semanas, que permitem que a equipe e os jogadores adquiram competências para resolverem os problemas que o jogo coloca, expressando-se através das ideias de jogo que se pretende para a equipe”, explica Jose Guilherme (universidade do Porto).

Para que um treinador possa realmente aplicar a Periodização Tática, um dos pressupostos fundamentais é ter ideias de jogo. São essas ideias e as respectivas interações que possam existir entre elas que vão ser objeto de treino, acrescenta o treinador do Porto “B”.

“Não quer dizer com isso que a qualidade de jogo seja boa, porque a qualidade de jogo está relacionada com a qualidade das ideias dos treinadores. Se as ideias forem boas e atrativas, os padrões de jogo que a equipe evidencia terão essa matriz. Porém, se as ideias forem de um futebol aborrecido, a manifestação do jogo dessa equipe evidenciará essas características, isto é, também será enfadonho”.

As exigências que o futebol profissional evidencia atualmente são, de tal forma, grandes que tudo o que seja facilitador do trabalho da equipe técnica e permita uma melhor operacionalização da planificação e do treino, nas suas diferentes vertentes aquisitivas, avaliativas e de recuperação, são sempre positivas.

Face a essas exigências, a oferta de produtos tecnológicos tem-se exponenciado nas várias áreas de intervenção da preparação das equipes e dos jogadores – tática, observacional, fisiológica, médica, análise e avaliação de desempenho, entre outras. Se uns são realmente importantes na melhoria do trabalho, levando a um acréscimo da qualidade de desempenho da equipe e do jogador, outros nem tanto. Surgem por modas, pelo aparato que podem ter ou pelo aproveitamento de algumas aparentes lacunas que possam existir.

A competência de um treinador, atualmente, é multidisciplinar e eclética. Não é suficiente ser muito competente em termos de conhecimento de jogo e de metodologia de treino específica. Tem de ser um ótimo gestor de recursos humanos, porque tem de interagir e maximizar não só o rendimento dos jogadores, mas também dos diferentes elementos da equipe técnica, dos diferentes departamentos que tem ao seu dispor, como o médico, o psicológico, o fisiológico, o de observação, o de scouting, o de análise do rendimento, o de formação, o de informação, o diretivo, entre outros que poderão existir dependendo das equipes.

O treinador atual tem de ser um promotor de sinergias entre os diferentes departamentos de modo a que todos tenham a consciência da relevância do trabalho em equipe para a equipe e, simultaneamente, tenham a liberdade e a capacidade de interagirem para produzirem novos conhecimentos e capacidades, tanto para o respectivo departamento como para o time e o clube.

O treinador também tem de ser um líder, porque os clubes e as equipes necessitam sempre de alguém que indique os caminhos que devem ser seguidos. Se alguns devem ser traçados pelo departamento diretivo, muitos terão de ser pelo treinador e para que todos acreditem, trabalhem e se envolvam num projeto coletivo, é necessário um líder reconhecido por todos pelo mérito das suas ideias e pela capacidade de empreendedorismo que evidencia.

Um outro aspecto que acho muito relevante num treinador de qualidade é a capacidade que tem de transmitir as suas ideias e opiniões, tanto para a massa associativa do clube como para a imprensa. Um treinador deve ter um discurso que permita que os seus adeptos se revejam nas suas ideias e seja um catalisador positivo do envolvimento emocional que os adeptos nutrem pelo clube. Por outro lado, também deve ter um discurso claro, coerente, atraente e consistente para que a imprensa se torne um aliado pelo reconhecimento de uma postura meritória e não encontre contradições nem incoerências no modo de estar e na exposição das ideias ao longo dos tempos.

Metodologia de inteligência do Treinamento

Prof. Nogueira Jr.

Com todos os Conceitos da Periodização Tática dos Professores Vitor Frade e Jose Guilherme (Univ. do Porto) e a integração das minhas ideias (Nogueira Jr.) de metodologia e pedagogia do ensino e desenvolvimento intelectual, técnico e tático do atleta, vejo uma coerente mescla dos modelos de treinamento das quatro escolas do futebol as quais Eu emprego: Brasileira, Holandesa, Alemã e a escola de rua do jogo de futebol. (também o futsal é acrescentado como iniciação desta mescla).

Existe uma sistemática no treinamento, ela deve ser pactuada nos conjuntos de ações e experiências vividas no jogo pelo jogo, na repetição do erro e acerto, na correção técnica gestual (intervenção feita pelo treinador e os próprios colegas de jogo), no ensino cognitivo das ações jogador e bola com as tomadas de decisões, (binômio homem-bola – Sandro Orlandeli), na pratica intensa da técnica livre, da relação do espaço e domínio da bola, do poder de observação espacial do jogo e seu posicionamento dentro do jogo, da aprendizagem associativa do jogo e suas variações nos setores e no conjunto.

No meu entender o treinamento tem que ser simples para a formação e sua complexividade tratada por faixas de desenvolvimento, porem divididos no seu Treinamento diário.

1º Trabalhos livres de percepção do atleta com as técnicas de domínio, condução, fintas e dribles com a bola, trabalhos em duplas e grupos de passe, recepção, cruzamento e finalização todos para desenvolvimento técnico. (analíticos e jogos)

2º Atividades de desenvolvimento cognitivo e inteligência do jogo, enfrentamentos individuais, duplas, trios e grupos, solução de problemas do jogo em superioridade e inferioridade numérica, o raciocínio do jogo, amplitude e aproximação individual e coletiva do jogo, conhecimento espacial dos setores do jogo.

3º Solução dos problemas e dificuldades do jogo. Campos reduzidos, atividades de mini-jogos e pré-setorial.

4º solução das dificuldades técnicas através da tática individual e grupo (tanto para a formação de jogadores como os já profissionais).

5º jogos de desenvolvimento setorial com objetivos determinados, (defesa, manutenção da posse de bola, marcação e suas variações, saída de jogo, transições do jogo e finalização).

6º Trabalhos específicos na posição de jogo individual e coletiva dos setores da equipe.

7º Jogos de dinâmica setorial e intersetorial, jogo pelo jogo tático e jogo global (coletivo) com diversos números de atletas e regras para complexidade cognitiva e desenvolvimento das capacidades técnicas, táticas e físicas do atleta.

Trabalhos táticos:

Defensivos:

  1. Blocos e compactação, pressão total e setorial.
  2. Tipos de marcação e variáveis.
  3. Jogadas defensivas de escanteio, lateral e faltas,
  4. Transição.

Ofensivos:

  1. Entrelinhas, quebra da marcação, saída da pressão,
  2. Profundidade, jogo pelas berradas (laterais) e triangulações.
  3. Contra-ataque / contra do contra-ataque
  4. Jogadas ofensivas de escanteio, lateral e faltas,
  5. Transição.

Inter – disciplinarmente todos os trabalhos com intensidade, volume e dinâmica, devem ser controlados e executados em conjunto pelos membros da Comissão. Sempre sendo planificados pelo Treinador Principal, Preparador Físico e Fisiologista, em macro e micro planejamento com o Coordenador Técnico (se houver).

Os treinamentos devem ter fluência e dinâmica, o ritmo do treino tem que ser escalonado tendo seu pico de intensidade na parte principal do treino e no objetivo do treino proposto para a atividade.

Não se deve repetir excessivamente os treinos, porem há que ter um mínimo de repetições e variações para assimilar e executar o exercício corretamente, para obtenção da meta desejada.

Divisão do Treinamento: parte inicial, parte principal e objetivo, parte final e enceramento.

Antes das atividades, sempre há que ter informes ou preparativos para a execução do treinamento (orientações)

Após o enceramento sempre que necessário será feito comentários finais e feedback dos Atletas e Comissão Técnica a respeito do treino executado.

Sessão ou unidade de treino:               60 a 90 minutos

Parte inicial:                                                            10 a 15 minutos

Parte principal:                                            30 a 40 minutos

Parte final:                                                   10 a 20 minutos

Encerramento e complementação:         10 a 15 minutos

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